quinta-feira, 27 de agosto de 2009

┼ Poesia : a Tristeza ┼


No segundo sábado do primeiro mês de inverno, meu amigo Yuri Wlastov veio me visitar.
à mesa, ao bailar da luz do candelabro, em uma pausa, lhe questionei:

- Meu caro camarada Wlastov. O que é para você a tristeza?

ao que me respondeu:

- A tristeza, camarada, é a ferida na alma que canta.
é a solidão da tundra de nossa gélida sibéria.
é o adeus do sol no último dia de verão.
é o um navio a se perder na curva do horizonte do mar.
é a queda da casa de Usher.
é o cair do cadafalso.
é o apagar-se do nome no epitáfio.

┼ Poesia : Waleska Arminova ┼


Oh, waleska, tu que ainda dormes o sono dos inocentes, desperta-te, pois já é chegada a hora nona, e tu comigo deverás hoje partir.
A lua rubra no horizonte já de toda se mostra a essa noite escura e solitária. Essa noite que, a partir de hoje, nos será eterna; nela viveremos sempre

juntos; esta noite que agora começa, será nossa casa; será nosso eterno lar.
Esta é a noite dos nossos antepassados, oh, minha doce Waleska. Tu hoje os conhecerás. Tu hoje estarás entre nós, e serás a minha querida debutante nas

festividades de iniciação. Aah, Waleska, tu ordenarás teu próprio poder sedutor. Tu serás desejada pelos homens e amaldiçoada por suas viúvas...
Acorda deste teu sono passageiro e vem comigo viver um sonho de eterno viver. Vem ser rainha entre imortais e deusa entre os mortais.

- Quem és tu que a esta hora, quando já alta vai a lua dos martírios, de lugares escusos vens me assombrar?

- Eu sou aquele que um dia quando ainda mocinha, em uma noite escura, em um sonho medonho, meu nome soubeste chamar, e ao acordar, ajuda soube a ti prestar.

- Oh, tu então és aquele que do pesadelo me acalentaste, e quando refeita, teu nome a ti perguntei, todavia tu não me respondeste.

- Sim, aquele fui eu, e este, outra vez agora sou. No sonho tu o sabias, todavia.

- Diz-me tu, com que sinal outrora marcastes meu antebraço, e que explicação a meus pais eu não soube dar.

- O sinal com que outrora foste marcada, esse sinal me era de herança.

- Diz-me tu, que a estas horas já idas, de temor me envolve. De quem herdaras tu também esta marca?

- De herança foi-me dada esta marca, a marca da minha casta. Que de tempos já a muito idos, e que contagem já não mais alcança o entender, em uma noite como

aquela que em um sonho, um outro até mim comigo veio ter.

- E de igual sorte comigo veio acontecer...

- Sim, pois da mesma casta teu sangue nobre lhe percorre as veias.

- Diz me então tu, agora, quem és.

- Maximilianus Lupescus, é como tenho sido batizado.

- És romeno, daquela terra nascido?

- Não do ventre materno, mas do gene do sangue original, sou.

- E de que distâncias vens tu a esta paragem eslava?

- Incumbido fui eu através dos instintos imortais, da Escandinávia até aqui estar, e tu em meus braços a origem voltar.

- Como certa posso estar do que falas tu, que da noite pavorosa me chegas e faz tremer minha alma?

- Se treme tua alma por incompreensível razão, é porque da imortalidade convicção ainda não tens. Mortais temem por saber que são mortais, mas tu, minha

amada Waleska, deste medo não mais te acometerás, pois imortal és tu a partir desta noite que já alta vai.

- O temor que sinto, é do que desconheço, senhor, e não mais tão somente da dor...

- Preciosa minha, digo-te agora. Que do desconhecido a ti, conheço eu há muito já. E à dor, bálsamo saberei a teu corpo dar. A alma, essa de nada mais

precisará.

- Encoraja-me agora, tu que desde minha infância, em meus sonhos sempre nas penumbras te via de mim te ocultar.

- Teu alívio, preciosa minha, será teu próprio prazer a te deleitar. Esta será a maior dor que sentirás.



- Oh, vem então. Dá-me desse teu segredo que a mim é de grande enigma. Mostra-me a verdade das tuas palavras,
se é que delas posso eu depois de toda a minha vida duvidar.

- Preciosa és tu para mim, querida Waleska! Tua alva tez me faz os olhos cintilarem sobre esse rubor de tua face que escorre até teus seios e se desfaz em um

róseo vívido. Isso é o que mais nostalgia no futuro me trará.

- Mas tal vivacidade em tuas veias estará, senhor meu. Embora tua face com ela jamais corará.

- Sim, essa é a verdade. Mas enriquecerá o brilho do meu olhar, assim como o teu, toda vez que de igual alma líquida provar.

- Não te tardes tanto, senhor meu amo. Faz o que tua imortal alma, de prazer tanto almeja. Do rubor de minha face que sobe dos meus seios róseos e agora

desnudos, através de minha jugular, vem deles pronto tua sede saciar.

- Ah, teus seios...por eles a última gota de tua alma vou sorver, depois que o rubor de tua face diluir através de tua jugular.

- Ahhh! Assim, senhor meu. Estou sentindo como me falaste. Ahh! Sim...meu medo se desfaz agora em sublime prazer. Sinto fluir a sensação de uma agitação da

minha alma. Retira de mim esta essência mortal e preenche-me com o fluxo imortal que de ti lanças até meu profundo interior. Preenche-me com uma nova alma, a

alma-essência dos teus antepassados, a tua casta. Faz-me dona também desta noite sem fim, da qual me tornarei rainha eterna, e lançarei a todos os homens

mortais que a mim quiserem também de sua essência dar. Então formarei minha própria casta de súditos e povoarei as noites dos mortais com o medo que têm da

própria mortalidade. Sim...ohhh! por favor, não pare, amo meu! Beba agora as últimas gotas que ainda há dentro das câmaras do meu coração, através dos meus

seios desnudos e já sem o róseo vivido que há pouco havia, quando eu ainda era uma simples mortal.

┼ Poesia : Noite ┼


Morcegos e corujas alçam seus vôos, os pombos se refugiam.

A brisa de corpo quente, informe e envolvente roça os caules, as copas das mangueiras.

Meu corpo andarilho levanta o pó da rua.

A luz opalada da lua banha as nuvens esparramadas sobre o manto gasoso, difusando

Seus raios e projetando minha sombra errante sobre o asfalta duro.

Silêncio.

Meus próprios passos me seguem à retaguarda, retardos. Ao longe se ouve o som

Dos escapes automotivos. Cães ladram e se recolhem. Espíritos rodopiam, sussurram e gritam reunidos nos cabos elétricos do cruzamento da eqüina. Almas atropeladas. Me espiam, me seguem, me empurram. Tropeço. São fantasmas; são meus; são camaradas. Alguém parece falar próximo.Não dá para ouvir. De onde vem? Ah! vem de cima; do alto.

São os astros. Estrelas ululantes, planetas mudos, galáxias portentosas, constelações festivas. Ruídos surdos do infinito que vibram os átomos atmosféricos vindos do vácuo frio até os meus cabelos.

Minhas roupas, cúmplices do meu corpo, me abraçam, me protegem, juram fidelidade e subserviência até a cama. Na minha chegada, o quarto escuro, denso, ar ocioso. A luz vem e o denso ocioso foge com a sombra foge da luz. A cama vazia, fria, desperta e me pergunta: onde esteve? Por que demoraste?

Então me aproximo; sento-me ao seu lado e logo deito sobre ela, e ela me abraça, me protege.Nos envolvemos sob o lençol e colamos o rosto – doce amante e confidente. Dormimos. O sol não tarda a dissipar toda essa bela fantasia.

┼ Poesia de um soldado celta ┼


    Anseio pelos ventos árticos para, no calor da luta,
Refrigerar minh’alma;
O murmúrio do Nore a balançar meu sono
E a voz de Ériu a acalentar meus sonhos.
Na escuridão da ravina, os fantasmas dos irmãos mártires
Na lâmina de minha espada, pedir-me a vingança
E sobre a lápide dos meus inimigos cantar:
"Sê Tu minha visão, ó Senhor do meu coração;
 nada me salva, a não ser Tu; de dia e de noite,
Tu és o meu melhor pensamento;
ao levantar e ao deitar, Tua presença é minha luz."

┼ Poesia : Yeshua Adonai ┼


 Quem és tu?
que adentra meu osbcuro mundo e me tocas o espaço do meu coração?;
que de ti fogem a escuridão e as sombras, e lampejos de luz o seguem?
Quem és tu?
que preenche-me o vazio da alma;
aquece e levanta meu corpo frio?
De onde vens?
que arrasta consigo as estrelas pela escura cortina do universo
e povoa todo o infinito des astros cintilantes?
O que tens?
que me faz os olhos fechados te ver
e abala as pedras do meu sepulcro?
Onde vais?
que com sorriso, me toca a mão e me apresenta este átrio da vida?
Quem são esses?
que a ti, cantam "Yeshua Mikisdaskin!" "Yeshua Tsidekenu!" "Yeshua Adonai!"

┼ Poesia : advogado do diabo ┼


Ali, logo – disseram-me ao ouvido.

Apontou-me não sei o quê de luminoso opaco: lá está!

Ah!

O inferno veio pousar à minha frente. Inteiro, completo. E os meus olhos descansaram na imagem de seu dono, seu senhor. Terrível pesadelo!

Senhor de tais recônditos – disse eu – já não mais andas sozinho. Antes trazes agora contigo o teu reino?

E sentado no canto escuro do meu quarto, onde somente sua silhueta era divisada na penumbra da luz lunar, ficou.



- Não há sobre esta superfície corrompida, uma só coisa da qual poderás me surpreender. Antes, eu me repugno com o lado externo das coisas do que o avesso. Demoraste. É tarde para ti.

Falou-me:

- É tudo uma questão de escolha. Tudo!

Pode-se ficar de qualquer lado e terás sempre uma razão.

Ah, A ambigüidade! Coisa divina ou proeminentemente humana?

Sim, advogados. Façam uma estátua e cultuem a ambigüidade. Que seria de vós sem ela?

Essa coisinha pariu uma filhinha...humm...E ela é tão adorada! A humanidade a adotou, é sua afilhada querida.

Que nome a deram?

Hipocrisia chama-se ela. Filha amada!

Mas ouça: antes dela nasceram duas irmãzinhas gêmeas, univitelinas. Mas, ah! Que fatalidade: São tão distintas. Como pôde? Ora, que importa? Todos gostam delas também. Mas uma, querem para si, a outra dão para os outros, mas sempre as querem por perto.

Mas como se chamam?

Verdade e Mentira, são como as chamam

- Ora, ora, mas veja se não é o que dizem, senhor deles. Tu és o pai de uma delas, a quem chamam Mentira. Sua filha amada.



- Há um dito entre os humanos e que é universal. Ora, dizem que pai é quem cria. Se tu a crias, é filha tua, embora tenha nascido de mim.



- Calo-me quanto a isso. Se podes pensar assim. Maldita! Maldita ambigüidade.

Mas, senhor deles, piso-te o cenho feio. Vai, e contigo tua casa. Sobre esse assoalho há terra fria, mas mais ao fundo encontrarás solo quente. Esta superfície que me arrasta, e comigo tudo abaixo do manto gasoso, é minha casa. Não! É por onde vaga meu corpo, que é casa do meu espírito. Sobre esse corpo necessito um telhado para proteger-me corpo e espírito. Mas sobre tu está tudo e todos. Para que necessitas dessa proteção?



- Até as palavras necessitam de abrigo, pois se as tivéssem apenas no ar não lembrarias nem mesmo o teu nome.





Rogério Silva

┼ Poesia : Pedaços de Min no chão ┼


 No espaço onde eu habitava não me encontro mais.
no mesmo lugar está um velho par de sapatos;
roupas num canto, outras na parede penduradas.
na solidão conversam entre si em diálogos silenciosos;
perguntam por mim.
Mas não estou.
há tempos não me vêm, há tempos não saem;
há tempos não me vestem; há tempos não me calçam os pés.
E não sabem onde estou.
É que sou feito do mesmo tecido que são feito os sonhos,
e como não mais tenho sonhos, tampouco tenho vida;
tampouco existo.
mas o que ainda há, são vestígios de mim.
Entre a poeira e o mofo,
o silêncio e a solidão,
pedaços de mim no chão.



┼ Poesia : Amargo de Prazer ┼


Toco-te com os lábios desejosos;

olhos fechados e espírito leve.

Degusto-te com suave requinte 

de prazer imensurável.

Aprecio-te como a linfa soberba

que leva de mim todos os pesares.

Trago-te como sopro divino 

do alívio tardio, mas triunfante.

Deixo-te como vestígio agonizante,

Tentador sedutor 

Do qual se bebe o amor.

Roger Silva

┼ Poesia do Silencio ┼





Nestas horas mortas que a noite cria, entre um e outro verso do pavoroso poema, que sob a pálida luz de uma vela eu lia, me chegavam antigas lembranças de um dilema.

Quanto amargo e dissabor o silêncio produz! Entre as sombras vacilantes da noite, chegam em formas indefinidas, que sobre minha cabeça pairam, aves e outras criaturas aladas que de infernal recônditos alçam vôo até minha mente, a perturbar minh’alma.

Essas formas indefinidas das sombras criadas pelo medo, ocupando o vazio do meu ser, preenchendo o que antes era de sentimentos sublimes e, agora, somente o sentimento de dor. O que antes era alegria, agora é tão somente o dissabor.

Que pena paga um condenado pelos sentimentos! Oh, agonia incessante. Que martírios mais terei que suportar? Como um medo tão latente do desconhecido, pode tanto me apavorar? Será do vazio de minha alma que sinto medo? Ou do esquecimento do meu ser, por outro já amado?

Não é do fim da vida que treme minha alma, mas do fim do sentir-se bem eterno. Não mais existir não é tão doloroso quanto o existir sem ser notado, ou amar sem ser amado, ou perder o que jamais será recuperado.






┼ TV e cinema ┼


O cinema e a TV deram um bom espaço para a "goth culture" através de filmes, séries etc, como por exemplo, os filmes Nosferatu, filmes da Hammer films, produções de Tim Burton, Drácula, Elvira (Rainha das trevas), A Família Addams (o filme), Entrevista com o vampiro, Jovens Bruxas, Estranho mundo de Jack, etc, ou seriados como Família Addams e Os Monstros nos anos 60. No Brasil, um notável expoente da "goth culture" foi a novela Vamp.